O mundo não é do jeito que ele é, é como “cada um vê”, ou cada um “quer que seja”, a partir dessa premissa, tudo na imprensa (estamos falando dela) é relativizado, ou seja, cada indivíduo emite sua opinião de acordo com seu ângulo de visão.
A chamada “imparcialidade” da imprensa absolutamente não existe, assim como não existe imparcialidade em nada, cada atitude e decisão, tem fulcro no cabedal axiológico do indivíduo, portanto é fundamental a visão clara dessa perspectiva, e a partir daí o arrostamento da questão em um exercício constante para afastar as paixões e os sentimentos menores (e os maiores também) que sem dúvida, irão conspurcar o trabalho realizado.
É muito difícil se afastar das paixões (ninguém disse que era fácil) em qualquer trabalho, mas no caso da imprensa, isso pode potencializar as consequências deletérias do inopino.
Um caso clássico em que a imprensa movida por paixões (principalmente o preconceito e a inveja) protagonizou uma das maiores tragédias individuais deste país, foi o caso envolvendo o cantor Wilson Simonal em 1970.
Notícias rasas e sem um mínimo de cuidado na verificação da procedência (segundo Chico Anysio a imprensa jamais se preocupou em apurar nada - o Pasquim teve papel de destaque nesse “linchamento”) - lançaram ao ostracismo por mais de vinte anos, um dos maiores cantores que o Brasil já conheceu.
Hoje (quando não adianta mais nada) todos são unânimes em reconhecer o erro, a intolerância, a tragédia, o preconceito e a inveja, ou seja, Simonal já morreu e reconhecer o erro acaba sendo uma espécie de auto-indulto que expia a consciência até dos mais “arrependidos”: inclusive Ziraldo e Jaguar.
Nos assuntos envolvendo a Segurança Pública é preciso muito cuidado e responsabilidade social redobrada.
Em determinado município um jornal noticiava constantemente que a polícia “não fazia nada e a cidade estava sem lei”, o resultado disso foi que os facínoras da região começaram a migrar para o lugar, fazendo os índices de criminalidade explodirem, pior que isso, munícipes pagaram com a própria vida pela paixão mesquinha de meia dúzia de “magoados”.
É verdade que as boas notícias não interessam à imprensa e não dão índices de audiência (que o diga a imprensa de Mônaco e Liechtenstein, onde os índices de criminalidade são tão diminutos que praticamente não existem, é claro que os indicativos sociais também são diferenciados, trata-se simplesmente dos melhores países do mundo para se viver lá a segurança e a sensação de segurança se equivalem), apesar disso, a maneira e modo com que elas são levadas até o incauto, podem causar um mal maior que o seu próprio objeto.
Quando a imprensa faz esse tipo de algaravia em torno de temas envolvendo a Segurança Pública, equivale a gritar fogo em uma boate cheia ou dentro de um circo com quatro mil pessoas, ou seja, mesmo que não tenha fogo coisa nenhuma, centenas de pessoas podem morrer pisoteadas como amiúde ocorre em eventos dessa natureza.
O pior de tudo não é o erro em si, mas sua burra, teimosa e irresponsável repetição na linha do tempo.
Fonte: Colunista Rogério Antonio Lopes (paranaonline)
